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A guerra da garrafa reutilizável e o copo plástico.



Há anos trabalho com o tema sustentabilidade e essa discussão sempre volta a tona. Muito já evoluiu nesse tema, hoje a conscientização dos gestores de empresa e população geral é muito maior, e sabemos que reutilizar materiais não renováveis é muito importante. O uso de garrafas plásticas é um tópico que está cada vez mais presente nas discussões sobre meio ambiente. Enquanto a conscientização sobre os problemas da poluição plástica está aumentando, é importante avaliar a abordagem mais eficaz para lidar com essa questão. Recentemente, deparei-me com um artigo que abordou a relação entre a conscientização sobre a poluição plástica e as mudanças de comportamento. A pesquisa realizada pela BRITA UK (diponível em https://www.keepbritaintidy.org/news/we-have-reusable-bottle-we-don%E2%80%99t-use-it) revelou algumas descobertas intrigantes sobre o assunto.


De acordo com essa pesquisa, embora as pessoas estejam mais conscientes dos impactos ambientais da poluição plástica, essa consciência não necessariamente se traduz em mudanças reais de comportamento. Isso levanta uma questão interessante sobre como abordar esse problema. Uma descoberta importante foi que as barreiras para a adoção de práticas mais sustentáveis, como usar garrafas reutilizáveis, muitas vezes não estão ligadas apenas à falta de conscientização, mas também a preocupações com inconveniência, esquecimento e higiene.


Isso me fez pensar sobre a abordagem mais eficaz para incentivar as pessoas a adotar práticas mais sustentáveis em relação ao uso de garrafas plásticas. Enquanto é louvável promover a substituição das garrafas plásticas por alternativas reutilizáveis, talvez haja uma oportunidade maior em projetos ambientais que se concentrem em conscientizar as pessoas sobre a importância dos materiais não descartáveis em geral.


Em vez de apenas incentivar a compra de garrafas reutilizáveis, poderíamos investir mais em campanhas educacionais que abordem questões mais amplas, como a cultura do consumo, a redução do desperdício e a necessidade de repensar nossa relação com os recursos naturais. Isso evitaria a armadilha de uma abordagem que vende apenas produtos "verdes" sem realmente abordar as causas profundas da poluição plástica.


Uma parte intrigante da pesquisa é a sugestão de que a disponibilidade de água filtrada ou da torneira poderia incentivar mais pessoas a usar garrafas reutilizáveis. Isso me leva a pensar que, além das campanhas de conscientização, também é importante trabalhar na infraestrutura que torna mais conveniente para as pessoas adotarem práticas sustentáveis.


Além das preocupações relacionadas ao uso de garrafas plásticas, outro problema crucial que merece atenção é a crescente ameaça dos microplásticos. Essas minúsculas partículas de plástico, muitas vezes resultantes da degradação de objetos maiores, representam um desafio ambiental alarmante. À medida que esses fragmentos diminutos entram em ecossistemas aquáticos, eles podem ser ingeridos por organismos marinhos e, subsequentemente, entrar na cadeia alimentar humana. Esse ciclo preocupante destaca a urgência de lidar com a poluição plástica em suas várias formas.

Uma vez que os microplásticos apresentam um impacto potencialmente prejudicial à saúde humana e ao meio ambiente, a abordagem de projetos ambientais e campanhas de conscientização deve se expandir para abranger não apenas a redução do uso de garrafas plásticas, mas também a minimização da disseminação dessas partículas em nossos ecossistemas. A educação sobre a origem dos microplásticos, seus efeitos prejudiciais e as medidas para limitar sua liberação é essencial. Além disso, a promoção de hábitos de consumo mais sustentáveis e a pressão por regulamentações que restrinjam a produção e o descarte inadequado de plásticos são passos cruciais para mitigar o problema em crescimento dos microplásticos.


Para concluir, embora a substituição de garrafas plásticas por opções reutilizáveis seja uma etapa positiva, essa pesquisa me fez perceber que abordagens mais amplas e educacionais podem ter um impacto mais significativo a longo prazo. Enquanto trabalhamos para resolver a questão da poluição plástica, é essencial abordar não apenas o comportamento individual, mas também as questões sistêmicas e culturais que contribuem para o problema.


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Texto: Herbert Santo de Lima


Herbert, mais conhecido como Herbie, é professor, biólogo, mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela London School of Economics (LSE), especialista em sustentabilidade, jogos cooperativos e cultura de paz, e sonha em plantar seu próprio alimento.


A Fabrica dos Sonhos não se responsabiliza pela opinião dos autores.



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